Rotação por estações: uma possibilidade para planejar aulas

Você conhece a metodologia Rotação por estações? Esse modelo permite que os alunos experimentem diferentes formas de aprender, abordando determinado conteúdo através de atividades on-line e presenciais.

O ensino híbrido (ou blended learning)  é uma modalidade de ensino que tem como principal característica a mistura de momentos online e presenciais para ensinar e aprender. Esses momentos oferecem diferentes potenciais e oportunidades para aprendizagem e, por isso, seus alunos poderão experimentar várias maneiras de interagir com o conteúdo de uma aula ou sequência de aulas.

Dentre os exemplos de metodologias que se encaixam nessa modalidade está a rotação por estações. A rotação por estações cria um circuito de diferentes atividades para construção de uma aula e isso deverá ser pensado em um mesmo plano de aula.  Cada atividade proposta nesse circuito é considerada uma estação. E cada estação aborda o conteúdo ou parte dele de uma forma diferente. É importante fazer uso de tecnologia digital em, pelo menos, uma delas.

Vale lembrar que você precisa pensar quais são os objetivos de aprendizagem de cada estação e se, ao final de todas as estações, será possível cumprir os objetivos de aprendizagem elaborados para determinado conteúdo. 

Pensando que seus alunos aprenderão melhor se tiverem a chance de experienciar diferentes metodologias e maneiras para aprender, você pode usar diferentes recursos e estratégias e esses recursos devem apresentar diferentes graus de complexidade e/ou dificuldade. 

Por exemplo, em uma das estações, os alunos podem analisar a leitura de um texto; em outra assistir a um vídeo; em outra escrever um texto dissertativo  e, por último, resolver um problema, contar uma história, apresentar argumentos para um debate ou, ainda, fazer um estudo de caso. 

Os diferentes momentos podem estabelecer diferentes tipos de interação entre professor e alunos: em alguns, os alunos podem ter maior autonomia para trabalhar; em outros, pode ser necessário uma orientação e acompanhamento mais específicos do professor ou mediador. Perceba que você pode trabalhar diferentes habilidades em cada uma das estações: comunicação, argumentação, pesquisa, exposição oral. 

De acordo com  a duração da aula, você poderá estimar um tempo mínimo e máximo para o trabalho em cada estação. Na maioria das vezes, o tempo mínimo é de 15 minutos. 

Existem três momentos essenciais nessa modalidade: o de interação entre professor e aluno (em que ele pode tirar dúvidas, orientar pesquisas, indicar materiais, orientar projetos, explicar conteúdos, fazer perguntas, dar os direcionamentos necessários etc.), o de trabalho colaborativo (em que alunos trabalham em um projeto comum, propõem questões uns para os outros, organizam debates ou desenvolvem algo que demonstre seu aprendizado – uma apresentação em powerpoint, um produto, uma narrativa, a solução de um caso, a proposta de um projeto) e o de tecnologia (que pode incluir estudos individuais, exercícios online, pesquisa ou games).

Você poderá fazer um roteiro que descreve o tipo de atividade/conteúdo e orienta as ações de seus alunos em cada uma das estações. Essa orientação é um ponto muito importante dessa metodologia pois poderá motivar os alunos a participar de cada uma das estações – você poderá criar uma narrativa ou um problema nesse roteiro e ainda considerar a construção de um percurso gamificado. Por exemplo, o aluno tem missões para resolver em cada uma das estações, ganha pontos ao passar por cada uma delas (que podem estar associados à complexidade da tarefa) e recebe feedbacks que lhe dão a noção de seu progresso pensando no cumprimento de todas as estações.

Embora o trabalho em cada estação seja independente, esse “problema” ou essa “história” poderá contextualizar as atividades e mostrar a relação de cada uma delas com o conteúdo da aula. 

Todos os grupos deverão passar por todas as estações, e ao final, é importante que os alunos compartilhem suas descobertas, questões, dúvidas e, se possível, debatam sobre o caminho metodológico adotado.

Algumas orientações são importantes:

  • Deixe claro qual o seu papel e qual o papel dos alunos em cada uma das estações;
  • Deixe claro em que momento os grupos deverão trocar de estação e qual o critério para essa mudança (o que eles precisam fazer/entregar); 
  • Identifique o que é possível aprender em cada uma das estações (objetivos de aprendizagem) e se ao final de todas as estações será possível cumprir o objetivo geral da aula.

Você poderá combinar a rotação por estações com outras metodologias como, por exemplo, a aprendizagem baseada em problema (ABP). Veja uma ideia:

Estação 1: Apresentação do problema e brainstorming inicial: anotação dos conceitos chave, dúvidas, entendimento do problema e distribuição de tarefas para cada um do grupo. Se possível, construa um problema contextualizado.

Estação 2:  Pesquisa sobre os pontos chave e outros materiais que ajudam na resolução do problema. O professor pode fazer questionamentos que direcionem a pesquisa ou indicar materiais (vídeos, sites, artigos) para pesquisa. 

Estação 3: Resolução do problema. Após a etapa de pesquisa, os alunos de cada grupo devem elaborar uma solução para o problema.
Estação 4: Apresentação da solução e compartilhamento com os demais grupos. Aqui, a troca de ideias é fundamental e poderá ser feita por um debate ou uma apresentação em powerpoint.

Alguns pontos a serem lembrados: 

  • As estações podem ser constituídas por diferentes atividades. No entanto, é importante que haja um momento de apresentação e entendimento do caminho metodológico e de compartilhamento do que foi trabalhado e aprendido entre os diferentes grupos;
  • Descreva o número de estações e a metodologia que fará parte de cada estação;
  • Você poderá gamificar esse percurso usando diferentes elementos da gamificação.

Pronto para pensar em uma aula usando a rotação por estações? Precisa de uma orientação mais detalhada? Estamos a disposição para ajudá-lo!

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

MORAN, J. Metodologias ativas de bolso: como alunos podem aprender de forma ativa, simplificada e profunda.São Paulo: Editora do Brasil, 2019.BACICH, L.; NETO, A. T.; DE MELLO, F.T.(Orgs). Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, p. 27-45, 2015.

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